Kerber

Nasci em Brochier do Maratá em 1962, à época, Município de Montenegro.

Filho de pequenos agricultores, a agricultura pelos lados de Montenegro, no início da década de 1960, não era nada promissora: pouca terra, exaurida, sem a mínima mecanização e um mercado para produtos agrícolas que não fosse a commoditie soja parecia não ter futuro algum. O pai decidiu então, no inverno de 1964, deixar a sua pequena roça em Linha Comprida, interior de Salvador do Sul, e foi comprar às cegas, uma pequena colônia de terra em Porto Novo, à época Linha Jaboticaba, interior de Itapiranga, no extremo-oeste de Santa Catarina. E para lá mudamos no inverno deste mesmo ano.

Chegando lá, é que apenas percebemos a aventura em que estávamos entrando: longe de tudo, mata densa, bugios, cobras, aranhas descomunais e outros bichos como companhia, vizinhos há mais de kilômetro, escola a 7 e hospital a 16. E tudo isto a pé ou a lombo de cavalo.

Meus primeiros anos de escola, 7 km a pé na ida e 7 na volta.

Aprendi português na escola primária. 6 anos depois, a família mudou-se para a vila São João, hoje São João do Oeste, rica cidadezinha no extremo-oeste de Santa Catarina.

Ali vivemos por mais de 7 anos. A escola e o hospital já ficavam agora há 1 Km. Ali estudei e fiz amigos, acompanhando de uma sólida formação religiosa e uma disciplina e qualidade escolar acima da média para aqueles rincões.

Em 1977, longe dos parentes e da grande família, decidimos voltar ao Rio Grande, e justamente para Salvador do Sul, de onde havíamos saído em 1964. Após 3 meses ali naquela vila, decidi ingressar no Colégio Santo Inácio, um Seminário Jesuíta em Salvador do Sul. Ali terminei o Segundo Grau e segui para Cascavel/PR para o Noviciado jesuíta. Dois anos depois, decidi abandonar a batina e retornar a Salvador do Sul para trabalhar na Granja de Ovos Canarinho de meu tio. Seis meses depois, ingressei no Banco Real em Salvador do Sul e à noite, de Kombi vinha estudar na Unisinos em São Leopoldo. Fui transferido 2 anos mais tarde para Porto Alegre, para a grande Agência Borges de Medeiros. Cresci rapidamente no Banco sendo promovido em 2 anos a Procurador de Carteira. Por um problema de toxoplasmose nos olhos, resolvi abandonar a carreira no Banco e cuidar da saúde. Seis meses depois, ingressei na Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha, tendo sido vendedor de enciclopédias Delta Larousse antes.

Na Câmara, além de estudar Comércio Exterior na Universidade, revezava com um curso de alemão no Goethe Institut. Na Câmara, acabei permanecendo por longos 16 anos, saindo em 2003, como Gerente Adjunto, agarrando uma oportunidade que se abria numa empresa alemã Cap Parts do Brasil ( indústria

de componentes para capacitores automotivos) no cargo de Gerente Geral. A Cap Parts do Brasil durou até agosto de 2007, quando fechou sua operação no Brasil por contingência do mercado e decisão do investidor alemão. Desta empresa transferi para minha casa e até hoje ainda sou o responsável legal por ela no Brasil, enquanto tramita o seu processo de encerramento. Alemão técnico, aprendi de fato nesta empresa.

No final de 2007, fui convidado a retornar à Câmara Alemã, no cargo de executivo principal, ou seja, Diretor Executivo, cargo e posição que ocupo até o dia de hoje.

Posso dizer que sou uma pessoa feliz. Tenho esposa, uma filha de 21 e um filho de 19 anos e trabalho ainda em trono de 10 horas por dia. O cliente e poder contribuir para a solução de seus desejos e expectativas me fascina. Não há patrimônio maior, na atividade econômica, do que o cliente e as pessoas com quem trabalhamos e dividimos o nosso dia-a-dia. Afinal de contas, as empresas e o mercado necessitam de facilitadores e solucionadores de expectativas, de desejos e de problemas. Digo sempre aos jovens nas universidades e faculdades onde ministro palestras: “ …Se queres ser um líder, procure gostar de pessoas e estabeleça com elas relações de parceria…”. Pietro Baldi, já dizia no final da década de 90: “…Este milênio não será o milênio da concorrência e competitividade; mas, sim, o milênio da parceria…”

Para mim, não há felicidade maior do que ver que meu trabalho produz fruto junto a empresas, pessoas e instituições.

Kerber