Cesar Kaghofer

Comecei a faculdade de Engenharia Eletrônica aos 17 anos. Acreditava que ao passar no vestibular meu futuro estaria garantido. E eu havia passado numa excelente universidade federal. Só que ao final do primeiro semestre, percebi que todos buscavam um emprego técnico. E o que eu queria era “produzir”, seja lá o que isso fosse na minha cabeça. Queria ser independente logo.

Minha família tinha um pequeno negócio na área de produtos veterinários, na minha cidade natal. Pedi a meus pais uma oportunidade para trabalhar nele, mas eles queriam uma “vida melhor” para seu filho. Graças à interferência de meu irmão mais velho foi-me concedida uma oportunidade. E um recomeço interessante. Eu não sabia nada de negócios. Na verdade, nunca me vi como “empreendedor”. Hoje tenho certeza que isto é uma atitude, não algo que se aprende lendo ou vendo vídeos motivacionais.

Passei a trabalhar 6 a 7 dias por semana, e a fazer faculdade de Administração de Empresas à noite. Depois de começar pelo setor mais simples, a expedição (por escolha própria) fui crescendo de importância no negócio. Os funcionários mais antigos, que no início me viam com maus olhos (eu nem percebia, estava focado em trabalhar e entender aquele mundo novo) foram crescendo em apoio. O negócio cresceu, prosperou e, em 4 anos já faturava 12 vezes mais o valor de quando comecei. Nesta época tive um episódio de estafa. Também não via meus pais felizes; aquele negócio não agradava a eles – o que eu, na minha ingenuidade, achava um absurdo! Apesar de trabalhar muito, me faltava conhecimento, habilidade, conceitos melhores de lidar com o tempo e com as pessoas. E a minha ignorância e teimosia haviam me impedido de ver isto antes.

Neste período conheci a Dale Carnegie Training. As 12 semanas seguintes abriram meus olhos para os erros que eu cometia. Logo percebi que o negócio precisava de uma transformação. Tudo o que aprendi no curso me ajudou a lidar com aquele momento difícil, e manter a cabeça funcionando. Fechamos aquela empresa e montamos outras duas para que meus pais, sempre ativos, continuassem a trabalhar, fazendo o que eles gostavam, e não o que eu achava melhor. Afinal, eu era jovem e podia fazer algo novo.

Dentro das oportunidades que surgiram, a mais inesperada me conquistou. Fui convidado pelo meu instrutor a trabalhar na Dale Carnegie Training. Eu não acreditava ser possível, pois minha natureza muito tímida e introvertida não me parecia adequada a trabalhar com muitas pessoas. De qualquer forma, aquilo me atraía. Fazia sentido para mim levar a outros que havia me ajudado tanto, e por 3 anos trabalhei de graça ara aprender aquilo que é meu ganha-pão até hoje. Comecei minha carreira em Santa Cruz do Sul e tive 5 maravilhosos anos montando o negócio nesta cidade e na vizinha Lajeado. Curiosamente, nunca me vi como empregado. Mesmo autônomo, administrava a região como meu negócio. Até hoje estimulo as pessoas a lembrarem que não existe salário, só há o pagamento pelo que você produz.

O bom trabalho valeu a pena, e a oportunidade de crescer e tornar-me franqueado da empresa veio do meu então “chefe”, que me propôs uma sociedade, se eu decidisse ir para o Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, onde não havia a empresa. E eu nunca havia estado lá. Com 31 anos, era uma grande oportunidade. Topei na hora. E comecei de novo. Tenho comigo que nosso negócio começa todos os dias, e quebra todos os dias quando o expediente termina. E temos que começar do zero todo o santo dia, se pretendemos que ele continue útil e viável.

Após 7 anos – e muito trabalho – a Dale Carnegie Training do Mato Grosso e do Mato Grosso do Sul é uma das 30 franquias mais produtivas dos mais de 80 países onde a Dale Carnegie Training está. Temos uma equipe incrível, sem a qual isto não seria nem imaginável. Por mais empreendedor e competente que qualquer pessoa seja – e não acho que eu tenha alguma destas qualidades em especial – são as pessoas que multiplicam e executam a alma de um negócio. E sem elas, a ruína é certa.

Empreender também é dar a oportunidade de outros empreenderem. Por tudo isto, acredito que empreender é uma atitude. De começar algo, de finalizar o que se começou, de inovar e dar oportunidade para outros. E, sem dúvida, de aprender a empreender melhor todos os dias.

Cesar Kaghofer